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Foto de: Café, chá e guaraná
Alimentação Saudável

Café, chá e guaraná

Conheça os efeitos dessas bebidas estimulantes

O café é um velho conhecido dos brasileiros. Ele é estimulante e pode ser consumido de diferentes maneiras. Por isso, ao longo dos anos, o seu efeito tem despertado o interesse de pesquisadores, que buscam descobrir se ele pode prejudicar o organismo. No entanto, ainda não existem evidências de que o consumo em quantidades moderadas seja nocivo à saúde.

Outro estimulante muito apreciado pelos brasileiros é o chá das folhas da Camellia Sinensis. As três bebidas popularmente conhecidas como chá verde, chá preto ou chá-mate foram criadas a partir da mesma folha, mas apresentam características diferentes.

Tanto o café como os chás estão constantemente presentes nas mesas dos brasileiros. Portanto, é fundamental compreender suas vantagens para o corpo humano. Vamos conhecê-las mais a fundo?

  • Café

Produtora do grão de café, o gênero Coffea inclui 40 espécies de plantas, mas apenas três são comercializadas: Coffea arabica, Coffea robusta e Coffea liberica. Acredita-se que a Coffea arabica, a mais conhecida, seja nativa da Etiópia, de onde partiu para a Arábia e, depois, para outros lugares do ao redor do mundo. No século XVII, a Arábia era o único país que produzia café para exportação.

O grão pode ser vendido em diferentes formatos, entre eles torrado, moído, descafeinado ou solúvel. O tipo e o modo de torrefação ajudam a compor o sabor e as propriedades gerais da bebida, cuja característica dependerá da qualidade dos grãos, ou seja, do seu armazenamento e do tempo e da temperatura da sua torrefação, assim como do tipo de água utilizado e do método de preparo.

No Brasil, a qualidade do café é fiscalizada pela Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC), por meio do emprego de uma metodologia de análise sensorial. A instituição emite um selo que certifica o produto final e o classifica em quatro categorias: Extraforte, Tradicional, Superior e Gourmet.

Como citamos aqui, não existem evidências de que quantidades moderadas de café prejudicam o corpo humano. No entanto, um consumo superior a 400 mg por dia pode levar ao chamado “cafeinismo”, provocando ansiedade, inquietação, irritabilidade, tremores, perda de apetite, tensão muscular e até palpitações no coração. Recomenda-se que a primeira xícara seja tomada na primeira hora após acordar e que as demais respeitem intervalos mínimos de duas horas entre elas. Além disso, não é indicado consumir a bebida à noite, uma vez que ela afasta o sono.

Um estudo com 521.330 adultos de 10 países europeus durante 16 anos, mostrou que ingerir pelo menos três xícaras de café por dia pode levar a uma diminuição de 7-12% no risco de mortalidade (Gunter et al., Ann Intern Med, 2017). Resultados semelhantes foram divulgados por outra pesquisa, realizada com uma população de 185.000 participantes.

Além de cafeína, o café é composto por ácido cítrico, ácido clorogênico e fenóis. Vamos entender melhor o que essas substâncias podem provocar no nosso corpo.

Cafeína

Para muitos, é a razão para levantar de manhã. Muito estável mesmo sob calor intenso, a cafeína sobrevive à torrefação e é facilmente solubilizada em água quente.

Uma xícara de café tem, aproximadamente, as seguintes quantidades de cafeína:

Expresso100 mg
Coado80 mg
Instantâneo65 a 100 mg
Coado descafeinado3 a 4 mg
Instantâneo descafeinado2 a 3 mg

Ácido cítrico

Típico das frutas como o limão e a laranja, o ácido cítrico é um dos 30 ácidos orgânicos presentes no café. Metade deles é destruída na torrefação, e o que sobra é responsável pela acidez do café.

Ácido clorogênico

No nosso organismo, atua na metabolização da glicose, reduzindo a sensação de desejo por alimentos açucarados (por isso pode ser de grande valia para pessoas com diabetes).

Fenóis

Formados a partir da decomposição do ácido clorogênico e outros compostos, os fenóis conferem o amargor do café torrado escuro.

  • Chás Estimulantes

Provenientes da mesma planta, aCamellia sinensis, os diferentes chás estimulantes têm apresentações que dependem do nível de fermentação e oxidação de suas folhas. Ochá verde, por exemplo, não sofre fermentação durante o seu processamento e, por isso, mantém a cor original da planta. Já o chá oolong, muito produzido e consumido na China, é parcialmente fermentado, apresentando coloração mais escura. O chá preto, por sua vez, é, de todos, o que passa pelo maior processo de fermentação, o que leva a sua coloração escurecida e ao seu sabor diferenciado.

Agora vamos entender a composição de cada um:

Chá verde

A composição dos chás depende de uma variedade de fatores, como clima, estação ou tipo da planta de origem. Feito com folhas frescas, ele possui menor concentração de cafeína, mas elevada quantidade de substâncias antioxidantes, predominantemente as catequinas.

Algumas evidências sugerem que ele reduz o apetite e aumenta o catabolismo de gorduras. As doses da bebida que proporcionam esses efeitos variam, mas acabam girando em torno de três copos (240 a 320 mg de polifenóis)por dia. A Academia de Nutrição e Dietética Americana (American Dietetic Association) sugere a ingestão de quatro a seis xícaras de chá-verde por dia. 

Estudos alertam que o consumo exagerado de chá verde pode causar palpitações, dores de cabeça e vertigem. Ao longo do tempo, esse consumo pode levar a problemas no fígado, gastrointestinais (constipação), diminuição do apetite, insônia, hiperatividade, nervosismo, hipertensão, aumento dos batimentos cardíacos e irritação no estômago.

Alguns cuidados no preparo do chá verde também são fundamentais. Deve-se esquentar a água até pouco antes de ela entrar em ebulição e despejá-la nas folhas bem devagar, o que ajuda na redução do processo oxidativo. A infusão deverá ficar abafada por um período de 2 a 3 minutos, sendo seu armazenamento prolongado não recomendado, pois há a perda dos compostos antioxidantes. A proporção de água e ervas deve ser a seguinte: para cada litro de água, quatro colheres de sopa de erva fresca ou duas colheres de erva seca. 

Chá preto

Feito com folhas mais envelhecidas, submetidas a um processo de oxidação maior, o chá preto tem mais cafeína. Ele apresenta um sabor mais forte e acentuado, devido à fermentação. Seu aroma é atribuído à presença de compostos voláteis, formados durante a fermentação e a secagem.

Cada vez mais pesquisas têm demonstrado o impacto positivo do chá preto sobre o tratamento da diabetes e suas complicações, pois seu extrato leva a um aumento no metabolismo do colesterol. Além disso, suas atividades protetoras da oxidação das gorduras têm sido associadas à prevenção de doenças cardiovasculares.

Enquanto o chá verde é mais promissor no combate aos radicais livres, graças à sua maior concentração de antioxidantes, o chá preto tem melhor desempenho no que diz respeito à estimulação da atividade cerebral e ao desenvolvimento de concentração, graças ao seu maior teor de cafeína.

Chá-mate

Derivado da infusão das folhas dos vegetais da espécie Ilex paraguaiensis, o chá-mate é muito utilizado no preparo do chimarrão e do tererê. A folha torrada, por sua vez, é usada para o chá comum.

Há muito tempo, a erva-mate tem mostrado ótimo valor terapêutico. Por esse motivo, ela é indicada como anti-inflamatório, antirreumático, tônico, diurético e, principalmente, estimulante. A maior parte dos seus efeitos benéficos são atribuídos aos compostos fenólicos nela presentes, que são antioxidantes. A quantidade dessa substância, contudo, pode variar devido a inúmeros fatores, como técnicas agrícolas, processamento, local, época de colheita e meio de preparo.

O uso da planta não é indicado para pessoas que possuem ansiedade, taquicardia, hipertensão, gastrites e úlceras gastrintestinais. Além disso, acredita-se haver uma relação entre o consumo de chimarrão e a alta incidência de câncer de esôfago em populações que tradicionalmente consomem essa bebida. No entanto, estudos afirmam que o consumo acima de 1 litro ao dia é responsável pela doença em decorrência da alta temperatura da bebida, e não de algum componente específico da erva.

  • Guaraná

A cafeína está presente na natureza em mais de 63 espécies de plantas, entre elas, o guaranazeiro, que apresenta os maiores teores da substância, principalmente nas suas sementes. O Brasil é praticamente o único país a produzir guaraná em escala comercial, sendo os principais estados produtores a Bahia, o Amazonas, o Mato Grosso, o Acre e o Pará.

Comumente comercializado na forma de pó, o produto consiste na semente triturada, moída ou pilada após a secagem. A quantidade de cafeína do guaraná em pó pode variar de acordo com a região de plantio, o método de cultivo, contaminantes químicos e métodos de secagem.

Por seu alto potencial medicinal, que inclui propriedades estimulantes, afrodisíacas e cicatrizantes, aproximadamente 70% da sua produção é destinada à indústria de refrigerantes e bebidas energéticas. O restante é comercializado principalmente em drogarias, em forma de pó, cápsulas e comprimidos, e às vezes misturado a outros ingredientes.

A concentração média de cafeína do guaraná representa cerca de 3 a 6% do seu peso, podendo a quantidade dessa substância presente no pó do fruto ser até quatro vezes maior do que a encontrada no pó do café. Por isso, o consumo excessivo de pó de guaraná pode trazer efeitos colaterais ligados ao excesso de cafeína, como ansiedade, inquietação, alterações de humor, tremores, perda de apetite, tensão muscular e palpitações cardíacas.

Agora que você conheceu os inúmeros efeitos que o café, o guaraná e os chás estimulantes podem trazer para a sua vida, confira duas receitas para aproveitar com moderação o sabor e as vantagens dessas bebidas deliciosas.

Receitas

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06/05/2021 14:49

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